O problema
Uma dupla sertaneja em atividade vive de show: festa junina, evento de cidade, casa de show no interior. O dinheiro entra quando um produtor decide contratar.
Toda a presença deles estava em plataforma de terceiro, e o endereço na bio era um agregador de links. Isso funciona para o fã, que quer ouvir a música e ver o próximo show. Funciona mal para quem contrata.
Um produtor que chega ali não encontra agenda, não encontra material de imprensa, não encontra um jeito de pedir orçamento. Ele cai na caixa de mensagem do Instagram, na mesma fila do fã pedindo música. Um pedido de show de dez mil reais e um "toca aquela ali" chegam pelo mesmo lugar, com o mesmo peso.
O custo disso não aparece em relatório, aparece em proposta que não foi feita.
As restrições
As decisões
Um site só, servindo dois públicos que não se parecem
O fã quer música, vídeo e a data do próximo show. O produtor quer credibilidade, agenda organizada e um formulário de contratação. São necessidades opostas em tom: uma pede calor e gíria, a outra pede informação seca.
O sistema resolve com registro variável em vez de estrutura duplicada. A voz de fã manda no hero, na galeria e no conteúdo social; a voz informativa manda na agenda, no material de imprensa e no formulário. Emoji é permitido no primeiro grupo e proibido no segundo, e isso está escrito na regra, não no bom senso de quem for escrever depois.
Um site para fã e uma área separada para contratação. Descartado por dois motivos: dobra a superfície que a equipe de marketing precisa manter atualizada, e o produtor que chega pelo link do Instagram desembarcaria na porta do fã de qualquer jeito.
Um componente que espera o logo, em vez de um logo aproximado
Sem os arquivos em mãos, a saída foi construir o lugar deles: um componente de assinatura que compõe o nome da dupla em tipografia e funciona com ou sem símbolo ao lado.
Assim o sistema fica utilizável hoje e pronto para depois. Quando os arquivos originais entrarem, eles ocupam um componente que já existe, sem redesenhar página nenhuma e sem que nada tenha sido construído em cima de um palpite.
Redesenhar o monograma a partir das capturas do Instagram. Descartado: seria uma cópia aproximada substituindo um original que existe, e todo material gerado a partir dela nasceria fora da marca.
O verde fica reservado, e é isso que o faz funcionar
A paleta é escura e quente, de luz de palco: quase preto, grafite, off-white e âmbar como energia. O verde elétrico existe, mas só aparece em "ao vivo", play, e no botão de contratar.
É a mesma convenção que o público já carrega de outros aplicativos de música, e ela só funciona enquanto for rara. Uma cor que aparece em tudo não sinaliza nada.
Promover o verde a segunda cor de marca, ao lado do âmbar. Descartado: ganharia variedade visual e perderia o único sinal forte do sistema, justamente o que aponta para a ação que gera receita.
Cada componente nasce como Slice de CMS
Agenda de show muda toda semana, e às vezes na véspera. Um site em que a data nova depende de alguém abrir o editor, alterar código e publicar é um site que fica desatualizado no primeiro mês, e agenda desatualizada é pior que agenda nenhuma: o fã viaja para uma cidade errada.
Por isso o sistema foi desenhado para Prismic com Slice Machine desde o primeiro componente, com preferência explícita por peça reutilizável em vez de peça específica de página. Quem cuida da comunicação da dupla é uma consultoria de marketing digital, e o CMS existe para que ela publique direto, no ritmo dela.
Páginas estáticas, mais rápidas de construir. Descartado: colocaria um desenvolvedor no caminho de cada data nova, e a equipe que produz o conteúdo passaria a depender da agenda de quem escreve código.
O resultado
A entrega foi o sistema e o site: tokens, componentes e as regras de conteúdo de um lado; do outro, as telas construídas em cima deles, cobrindo home, agenda, música, galeria e contratação.
A mudança concreta é de estrutura. A contratação deixou de ser uma mensagem no meio das outras e passou a ter um caminho próprio, com a informação que um produtor precisa antes de perguntar preço. A agenda passou a ter um lugar que a equipe de marketing atualiza direto, que era a condição para a informação continuar certa depois que eu saísse do projeto.
Não há número aqui porque ainda não há medição. O indicador que importa é quantos pedidos de contratação chegam pelo formulário em vez do direct.
Três pendências ficaram registradas e sinalizadas em vez de escondidas: as fontes são substitutas escolhidas para a direção pretendida, o conjunto de ícones é de terceiro, e a assinatura visual está esperando os arquivos originais da marca. Nenhuma delas impede o sistema de ser usado hoje, e todas trocam sem refazer trabalho.
ficha técnica
- stack
- Next.js · TypeScript · Prismic · Slice Machine · Vercel
- papel
- Direção visual, design system e desenvolvimento